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Por: José Benedito Medeiros

18-10-2025

Aos anjos que partem


A menina caminha pela estrada de chão

Seu vestidinho azul céu cai lhe no seu delicado corpo de vela

Tem no semblante um sorriso triste.

Os olhos grandes, abismal, procuram no horizonte

A cantiga de ninar,  as mãos de pluma, a voz

Do anjo maternal que um dia partiu.

A menina tem sonhos de infância,

Apesar de ainda criança.

A menina desejaria ser como outras crianças.

O mundo é um gigante que  mete medo.

Ela… tão pequena, tão minúscula.

Desconhece  a crueldade dos homens.

Vida e morte convivem perigosamente

No seu restrito Jardim de aparente paz.

Aí meu Deus, como desejaria,

Que os mares de lágrimas derramadas

Pelas mães

Fossem apenas de orgulho 

E não de doído sofrimento.


04/10/19


Por: José Benedito Medeiros

18-10-2025

Como se lê um artigo de opinião (para alunos)

Um aluno, quando está aprendendo sobre o gênero textual artigo de opinião, ao ler um texto para se apropriar do seu modelo, como exemplo, deve encarar o texto como alguém (o autor, por suposto) que está emitindo sua opinião numa exposição oral, num debate, sobre determinado assunto. Então, a primeira coisa que esse leitor deve se perguntar é: o que esse sujeito está defendendo sobre esse tema, que claramente está anunciado em síntese no título? A partir dali, nos primeiros parágrafos, onde normalmente se encontra o posicionamento do autor, o aluno leitor deve procurar essa resposta. Logo em seguida, depois de se valer de um marcador de textos ou sublinhar a parte encontrada, ele deve perguntar-se, estabelecendo um objetivo para a continuidade de sua leitura, como o autor justifica o que acabou de afirmar como tese; em que base ou elementos sólidos quer fazer me convencer sobre o que defende. Daí então, o aluno munido dessa intenção, de descobrir em como o autor do texto vai sair dessa enrascada que se meteu, vai ler o desenvolvimento, ou seja, os parágrafos restantes destinado a apresentação das "provas" ou evidências que dão sustentação à sua premissa inicial.


Em um segundo momento, o estudante pode fazer uma leitura mais detalhada observando expressões, palavras e intertextos, para compreender os sentidos que o autor quis imprimir em certas passagens.


As questões que o aluno preenche no livro didático, de forma um tanto automática, nas atividades de análise dos textos, perderam a função essencial da leitura de qualquer texto, a  a do desenvolvimento de um leitor crítico. Pois ao ler o texto de forma desinteressada, sem um objetivo definido previamente, ainda que sabendo superficialmente a tipologia do gênero textual, e logo em seguida responder as questões que lhes são propostas como teste de compreensão, pouco contribui para o exercício de uma leitura crítica.


Ao enfrentar o texto a primeira vez, o aluno leitor, pouco pode  compreender-lo e, ao voltar- se a ele numa segunda leitura, a fim de responder às questões, cria se nele um sentimento de frustração ao precisar lê- lo uma segunda vez e por ter passado despercebido pontos essenciais que, por vezes, só podem ser alcançados com uma leitura atenta e orientada; coisa que, com alguma disposição o professor pode oferecer, na leitura conjunta. Neste caso, o professor já está em posse das informações principais, pois já fez o seu trabalho de desvendar o texto, por essa razão, o aluno fica em desvantagem quando lhe é proposto que faça uma leitura autônoma do texto em estudo.


Pois essa maneira de treinamento sem questionar o texto para orientar a leitura é uma tentativa desastrada de tornar  prática a leitura crítica algo natural.