16-04-2022
A pergunta que me faço é quem seria essas "comunidades políticas"? Por um lado você tem as associações que buscam, senão o equilíbrio das distorções de um política neoliberal, cada vez mais agressiva, ao menos, lutar por manutenção de direitos mínimos, ou seja, educação, saneamento básico, saúde, moradia, igualdade de gêneros, etc. que, aliás, corresponde àqueles de uma cidadania global. Por outro lado, há outras organizações que claramente expressam, ruidosamente, a garantia de direitos e privilégios, o "status legal"; outras, embora a princípio sendo indivíduos representativos dos interesses do povo, advogam em causas particulares. Enfim, as possibilidades para uma ação coletiva requerem convergência a objetivos mais comuns, afinados às responsabilidades humanas urgentes, atentos a um futuro nada animador cada vez mais próximo.
Sem dúvida, um enorme esforço deve ser feito pelas comunidades políticas para estarem em consonância com cenário de uma economia pós-industrial. Do ponto de vista do trabalho, estamos ainda muito aquém de preparar profissionais para essa realidade que é cada vez mais tecnológica, robótica nas mais várias atividades manuais. Domenico de Masi em "Ócio criativo" aponta que o teletrabalho ou home office é uma realidade cada vez mais presente e se preconizam a exigência de habilidades um tanto sufocadas em nossas escolas: a criatividade a inventividade, a curiosidade pelo saber. A resposta que me parece mais óbvia para isso é reduzir os abismos sociais e garantir robustos investimentos em pesquisa, ciência e atualização do processo educacional público, além do cumprimento do direito básico a todos, que seja capaz de oferecer o desenvolvimento dessas capacidades.
A construção de uma ação coletiva, seja ela voltada para uma cidadania local ou global requer, como apontado pelo sociólogo e doutor em ciência política Humberto Dantas, um amadurecimento com relação a a politização da nossa sociedade e isso é consequência direta, a longo prazo, de uma educação democrática de qualidade. O aparente desgaste da nossa recente democracia representativa pressupõe, aos grupos sociais, principalmente a maioria oprimida e conformada a "obrigação" do ato do voto, uma pro-atividade, não passível, não resiliente, que seja no mínimo consciente, a despeito das últimas manifestações nitidamente conduzidas por desejos difusos e refém de grupos de interesses muito definidos.
16-04-2022
É muito comum na coesão referencial ocorrer o fenômeno da ambiguidade, quando há mais de um elemento de referência na superfície do texto, como aponta Koch, fechando o capítulo((pag.49) sobre o tema em "A coesão textual".
No trecho a autora escreve: "a decisão do leitor/ouvinte terá de se basear nas predicações feitas sobre elas (referência ou remissão), levando em conta todo o universo textual em que estão inseridas", ou seja, para o leitor contornar esse problema, considera-se, além do que se diz adiante sobre o termo relacionado, como também, o contexto interlocutivo. Nesse sentido penso que um tipo de referência como da designação, ou nomeação, me parece também um entrave na construção de sentido, principalmente para o leitor/ouvinte. Porque nem sempre a referência é explicitada.
O autor do texto confia no conhecimento prévio do leitor. Como por exemplo, no uso de termos como "timão", "plano cruzado" , "timeline", etc. é um tipo de entendimento tácito que se estabelece entre autor/leitor. Daí, também de evocar subentendidos, a exemplo da análise da Jana Viscardi (vídeo) sobre o caso da Lorena Viei.