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Por: José Benedito Medeiros

10-04-2022

Linguagem e Cognição: Universalismo e Determinismo

O vídeoTheories of language and cognition | Processing the Environment | MCAT | Khan Academy introduz uma discussão, como o título apresenta, sobre as teorias existentes sobre linguagem e cognição: O universalismo, que parte do princípio de que o pensamento antecede à linguagem, tendo como base a concepção piagetiana. E o Determinismo linguístico, partindo do pressuposto que a língua é determinante na conformação do pensamento. Mediando entre essas duas perspectivas o sócio-interacionismo de Vygotsky.

Do ponto de vista da Universalismo a aquisição da língua e seu desenvolvimento parte da experiência sensorial do indivíduo, ou de sua percepção cognitiva do mundo. A configuração mental de um povo é conformado ao seu ambiente social, cultural, resultando assim numa construção de um sistema linguístico próprio. O vídeo dá exemplo de um tipo de distinção de cor de uma língua de um povo da Nova Guiné, outros casos me vem à mente: exemplos dos esquimós, que nomeiam variações da cor branca da neve, e de tribos indígenas brasileiras que conseguem discriminar variações sutis da cor verde em plantas.

No Determinismo linguístico a língua é decisiva no processo cognitivo do indivíduo. É dividido em dois tipos: no chamado Determinismo Forte a maneira que o sujeito "lê" o mundo, em referência a Paulo Freire é fortemente intermediado pela língua, segundo se depreende dessa concepção, quanto mais o sujeito aprende e se enriquece das várias nuances da língua mais sua compreensão e "leitura" desse mundo se torna eficiente.

No Determinismo Fraco, no entanto, a língua tem uma influencia parcial no que diz respeito ao pensamento, ou seja alguns aspectos sociais culturais dos falantes são claramente determinados pela língua.Vem-me o exemplo da maneira como os japoneses lêem ou escrevem textos em sua própria língua,ou seja, da direita para esquerda e verticalmente. Algumas línguas são mais "econômicas" ou "diretas" no caso de desinência verbal ou mesmo de variedade vocabular, no caso da língua inglesa, só para exemplificar. O fato do português ser rico e consequentemente, em muitos casos, "complicado" e ambíguo de significados, até mesmo para nós, os nativos, tem explicação na multiétnica do nosso povo, além de , evidentemente do fator histórico, na qual todas as línguas estão sujeitas.

Por: José Benedito Medeiros

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As variedades linguísticas e a língua padrão

Encaro a questão da variedade com muita naturalidade, sem por isso achar algum valor o modo como uso a língua, mas me preocupa muitas vezes a posição de estranheza das pessoas, e situações em que o falar de alguém se torna motivo de chacota, piada, meme, etc. Há o fato de que a variedade que uma pessoa naturalmente usa é um distintivo social muito forte, daí o preconceito - mais ainda hoje, em que a aparência sempre é o que mais importa.

Entretanto, acho que é importante destacar que a língua padrão tem seu lugar próprio: no ambiente acadêmico, em certas profissões e mesmo na escola, onde naturalmente se deve dar a oportunidade de conhecê-la. A razão de pensar assim é que a variedade é por vezes indissociável a uma esfera social, a um tipo de "gênero textual" da situação, e eu não estou me referindo a questão do regionalismo, naturalmente, como muitas pessoas acham que a variedade se resume.

Refletindo sobre essa ideia do contexto, retomo aqui a teoria do Determinismo sobre a linguagem em que a medida em que se o acesso a cultura à linguagem livresca vai naturalmente moldando o nosso falar em oposição a ideia de incutir um punhado de regras gramaticais descoladas de uma situação natural de uso.

Sem entrar no mérito, segundo Marcos Bagno, em um dos seus diversos livros(não me lembro agora a referência exata) analisa que as classes de prestígio, que se supõe falar a tal língua culta também não as falam, pois a língua padrão, conclui ele, é um ideal de língua, inacessível, estática, ao contrário da língua real, que se interpenetram com os usos sociais.