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Por: José Benedito Medeiros

16-04-2022

Coesão e Coerência

É muito comum na coesão referencial ocorrer o fenômeno da ambiguidade, quando há mais de um elemento de referência na superfície do texto, como aponta Koch, fechando o capítulo((pag.49) sobre o tema em "A coesão textual".

No trecho a autora escreve: "a decisão do leitor/ouvinte terá de se basear nas predicações feitas sobre elas (referência ou remissão), levando em conta todo o universo textual em que estão inseridas", ou seja, para o leitor contornar esse problema, considera-se, além do que se diz adiante sobre o termo relacionado, como também, o contexto interlocutivo. Nesse sentido penso que um tipo de referência como da designação, ou nomeação, me parece também um entrave na construção de sentido, principalmente para o leitor/ouvinte. Porque nem sempre a referência é explicitada.

O autor do texto confia no conhecimento prévio do leitor. Como por exemplo, no uso de termos como "timão", "plano cruzado" , "timeline", etc. é um tipo de entendimento tácito que se estabelece entre autor/leitor. Daí, também de evocar subentendidos, a exemplo da análise da Jana Viscardi (vídeo) sobre o caso da Lorena Viei.

Por: José Benedito Medeiros

10-04-2022

Linguagem e Cognição: Universalismo e Determinismo

O vídeoTheories of language and cognition | Processing the Environment | MCAT | Khan Academy introduz uma discussão, como o título apresenta, sobre as teorias existentes sobre linguagem e cognição: O universalismo, que parte do princípio de que o pensamento antecede à linguagem, tendo como base a concepção piagetiana. E o Determinismo linguístico, partindo do pressuposto que a língua é determinante na conformação do pensamento. Mediando entre essas duas perspectivas o sócio-interacionismo de Vygotsky.

Do ponto de vista da Universalismo a aquisição da língua e seu desenvolvimento parte da experiência sensorial do indivíduo, ou de sua percepção cognitiva do mundo. A configuração mental de um povo é conformado ao seu ambiente social, cultural, resultando assim numa construção de um sistema linguístico próprio. O vídeo dá exemplo de um tipo de distinção de cor de uma língua de um povo da Nova Guiné, outros casos me vem à mente: exemplos dos esquimós, que nomeiam variações da cor branca da neve, e de tribos indígenas brasileiras que conseguem discriminar variações sutis da cor verde em plantas.

No Determinismo linguístico a língua é decisiva no processo cognitivo do indivíduo. É dividido em dois tipos: no chamado Determinismo Forte a maneira que o sujeito "lê" o mundo, em referência a Paulo Freire é fortemente intermediado pela língua, segundo se depreende dessa concepção, quanto mais o sujeito aprende e se enriquece das várias nuances da língua mais sua compreensão e "leitura" desse mundo se torna eficiente.

No Determinismo Fraco, no entanto, a língua tem uma influencia parcial no que diz respeito ao pensamento, ou seja alguns aspectos sociais culturais dos falantes são claramente determinados pela língua.Vem-me o exemplo da maneira como os japoneses lêem ou escrevem textos em sua própria língua,ou seja, da direita para esquerda e verticalmente. Algumas línguas são mais "econômicas" ou "diretas" no caso de desinência verbal ou mesmo de variedade vocabular, no caso da língua inglesa, só para exemplificar. O fato do português ser rico e consequentemente, em muitos casos, "complicado" e ambíguo de significados, até mesmo para nós, os nativos, tem explicação na multiétnica do nosso povo, além de , evidentemente do fator histórico, na qual todas as línguas estão sujeitas.